CONCEPÇÃO DO CURSO
Conscientes dos desafios que se colocam aos Pedagogos e do compromisso de formar profissionais da educação em consonância com as exigências da sociedade em que estão inseridos, a Faculdade Machado Sobrinho desenvolve seu projeto educacional na perspectiva de uma Pedagogia como ciência que organiza ações, reflexões e pesquisas a partir das demandas da práxis. Nesta perspectiva, poderemos pensar a pedagogia, "como a abrangência mútua e dialética da teoria e da prática educativas por uma mesma pessoa e sobre uma mesma pessoa, e o pedagogo como sendo, sobretudo, um prático-teórico da ação educativa". (Houssaye, 2004).
Assim, o profissional Pedagogo deverá ter, como foco central de suas atividades, a intervenção qualificada em espaços escolares e não-escolares. Para tanto, a formação do Pedagogo deve possibilitar a compreensão desses espaços educativos a partir de sua cultura organizacional, entendida como os "fatores sociais, culturais, psicológicos que influenciam os modos de agir da organização como um todo e do comportamento das pessoas em particular". (Libâneo, 2001)
Entende-se aqui a Educação como processo intencional de intervenção com vistas à formação do ser humano em sua integralidade, para ser e conviver nos espaços sociais em que interage.
Desta forma, este projeto foi concebido em 04 pilares: uma formação sólida deste futuro profissional; uma formação que agrega a vivência anterior e que reflete sobre novas ações, proporcionado a dialética ação x reflexão x ação e que proporcione uma visão holística desta ação; a pesquisa e a difusão do saber. Abaixo, um detalhamento destes pilares:
- A formação do educador, num sentido mais amplo, como membro da pólis e, portanto como um intelectual-cidadão, não pode e nem deve ser reduzida à mera profissionalização, embora deva abrangê-la. Esta formação deve ser fundamentada em conhecimentos sócio-históricos que permitam ao educador a construção de uma concepção coerente e unitária para compreender a sociedade, assim como a elaboração de reflexões sobre sua prática pedagógica.
- A prática que antecede o saber: podemos pensar o conhecimento como expressão da experiência e, nesse sentido, o tempo todo estamos buscando ou produzindo conhecimento, porque a experiência por si só é muda, precisamos dotá-la de expressão para que possamos comunicá-la ao outro. É nesta perspectiva que dissemos que, na educação, o conhecimento precisa ser produzido a partir da própria prática do educador, não pode ser simplesmente o produto estandardizado (e muitas vezes, importado do exterior).
- Pesquisa como fonte inesgotável do saber: a idéia do Pedagogo como produtor e difusor do conhecimento no campo educacional faz parte de uma concepção inovadora nos currículos de pedagogia. Não se trata de pensar o Pedagogo apenas como um difusor ou apenas como um produtor de saberes, mas de vê-lo conjuntamente como produtor e difusor do conhecimento, no campo educacional. Concebê-lo, ao mesmo tempo, como professor e pesquisador é um modo de ultrapassarmos a dicotomia entre aquele que produz o conhecimento e aquele que o difunde.
- Visão abrangente: a emergência de novas áreas de atuação profissional, a ampliação e diversificação da clientela atendida, as inovações nos procedimentos e técnicas, a atuação em equipes multiprofissionais configuram um processo de mudança no exercício profissional do Pedagogo, enquanto pesquisador/gestor e docente da sua ação. Faz-se necessário que ele possa compreender amplamente os fenômenos socioeconômicos e culturais para agir pautado nos princípios éticos em sua área de atuação profissional.
Gramsci (1986), ao tratar da "ampliação da cultura" e do "surgimento de novos intelectuais", indica que "não basta criar uma nova cultura, isto é, fazer 'individualmente' descobertas 'originais". É necessário socializar e difundi-las criticamente. É nesse sentido que, na proposta deste curso, se defende a ampliação dos espaços educacionais - escolares e não escolares - posto que "difundir criticamente significa facultar os meios práticos", fornecendo um "método de pensamento" que supere os "esquemas estáticos" e "a-críticos", através de um "novo processo dialético" no qual se "cria ao receber". (Grisoni e Maggiori, 1973)





